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Clima Real
 


Reunião de clima da ONU decepciona 'pobres'

A Conferência em Poznan, na Polônia, terminou com alguma "mágoa" dos países em desenvolvimento.

 

"O pomo da discórdia foi a tentativa frustrada de usar uma porcentagem do mercado de carbono para ampliar o financiamento do Fundo de Adaptação"

http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/12/13/ult4902u173.jhtm

 

Aparentemente, os países pobres não querem vincular essa verba dos créditos de carbono a um uso específico.

 

As questões ambientais freqüentemente esbarram nesse dilema: todos querem o resultado geral, mas há incentivos pra deixar o ônus para os outros. Do tipo "quero que a Amazônia seja preservada, mas não fará diferença se eu desmatar a minha fazenda".

 

As soluções passam necessariamente por uma coordenação coletiva da atividade. Ou um governo forte que imponha a regra a todos, ou cidadãos responsáveis que compreendam a extensão do problema e cheguem a um acordo voluntário e que coíba o free-rider.

 

O segundo caso, embora possível, é mais raro. E a comunidade internacional, formada por estados soberanos, terá que costurar um acordo desse tipo. Considero mais plausível a hipótese de alguns gestos de generosidade de países mais ricos lhes darem "moral" pra exigir contrapartidas dos países em desenvolvimento. A Europa, por exemplo, já anunciou uma limitação voluntária de 20% em suas emissões, e condicionou um corte de 50% a medidas restritivas adotadas por outros países. A UE tem procurado viabilizar esse acordo.

 

Nesse sentido, considero a relutância dos EUA como um obstáculo fundamental nas negociações.

 



Escrito por Alexandre Lacerda às 11h45
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Impasse político e aquecimento global

Tony Blair fez hoje um pronunciamento em Tóquio dando contornos um pouco diferentes à questão do Aquecimento Global: Ao invés das dicotomias “céticos” x “alarmistas”, ou “pragmáticos” x “românticos”, seu discurso não põe dúvidas na realidade do aquecimento, nem na necessidade de ação. A questão agora é simplesmente conciliar uma ação profunda o suficiente para se ter os resultados necessários - limitar o aquecimento em 2ºC - com a suavidade necessária para manter os líderes que a conduzam no poder.

A democracia representativa é o melhor regime político conhecido, e a diferença entre o que o eleitorado quer e o que ele precisa é constantemente motivo debate na imprensa, sob diversas formas. Nessa questão, a democracia terá uma verdadeira prova de fogo: um líder que imponha um remédio amargo ao seu eleitorado ficará vulnerável a adversários “negacionistas” que seduzam o eleitorado com discursos de “nada disso é necessário”. Por outro lado, líderes eleitoreiros que não conduzam remédios eficazes exporão o eleitorado a uma mudança climática de proporções potencialmente grandes - e a uma possibilidade de desagregação social que de novo ameaça a democracia.

Seja qual for o curso de ação que coletivamente trilhemos nos próximos 10 ou 20 anos, ele moldará significativamente o mundo que as futuras gerações herdarão. Pessoalmente, eu torço para que tenhamos responsabilidade o suficiente.

Discurso do Tony Blair:
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/herald/2008/06/27/ult2680u695.jhtm


Escrito por Alexandre Lacerda às 09h00
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Direitos relativos

O liberalismo é uma ideologia baseada na liberdade individual como meio por excelência para se conseguir prosperidade e justiça. Em certo aspecto, considera também essa liberdade como um fim: a vida só faz sentido se for livre. Eu concordo com isso.

 

Por outro lado, existem vários direitos concorrentes além dessa liberdade individual, e erguê-la acima de qualquer outro até as últimas conseqüências também traz distorções. Vou ilustrar com um direito aceito por todos nós como indiscutível: o direito à vida.

 

Matar é crime, e é assim em todas as sociedades e culturas das quais tenho notícia. Se alguém for esfaqueado e cair morto, o autor desse crime deve ser punido – ponto pacífico. Porém mesmo algo assim evidente depende de algum grau de subjetividade, e o direito à vida encontrará seus limites. Esse crime tem vários aspectos, e por simplicidade vou me restringir apenas a um deles: o tempo de morte.

 

Mesmo se essa morte demorar alguns dias para acontecer, o entendimento comum ainda será pelo homicídio. Se o ferimento for um pouco menos fulminante e a vítima sobreviver ainda por uma semana ou duas, alguns poderão passar a considerar isso uma “lesão corporal seguida de morte”. Ainda um crime, mas mais brando. Se formos mais adiante, e a lesão resultante levar à morte anos depois, alguns já entenderão que não houve qualquer atentado à vida, e que o crime foi apenas uma lesão corporal. Podemos chegar até ao ponto em que o ato perpetrado apenas diminua estatisticamente a vida em alguns anos, e muitos entenderão aí que não houve crime algum.

 

Se considerarmos o direito a vida absolutamente acima de qualquer possibilidade de concessão, condenaríamos até esse último caso como homicídio. Talvez até uma discussão acalorada que acarrete um stress prolongado possa diminuir a vida em alguma medida, e nesse caso teríamos homicidas. Levada às últimas conseqüências, essa defesa  acarretaria distorções maiores do que o benefício que se gostaria de se alcançar inicialmente: a integridade desse direito. Onde fica, exatamente, o ponto a partir do qual as distorções superam o benefício da defesa do direito? Não há um limite fixo. Depende-se, necessariamente, do julgamento e da subjetividade humana, por mais inseguro que seja isso.

 

De volta à liberdade individual: mesmo que consideremos essa liberdade tão importante quanto o direito à vida, ela tem seus limites e ,de novo, alçá-la acima de tudo e todos causa suas distorções.

 

Defender causas ambientais, em grande medida, é ser utilitarista: é eleger algumas condições como desejáveis, e tendo em vista a impossibilidade de alcançar isso por vias individuais, buscar vias coletivas: leis, mudanças culturais, conscientizações. Onde está a linha divisória entre o que é uma condição desejável, e um interesse particular escuso camuflado de “bem comum”? Como no exemplo acima, essa linha seria melhor imaginada como uma zona cinzenta: há casos flagrantes de um, casos inequívocos de outro, e outros, limítrofes, que dependerão mais da subjetividade, da corrente ideológica, do entendimento individual.

 

Abolir terminantemente qualquer cerceamento à liberdade individual por utilitarismo implica em aceitar situações claramente indesejáveis, apenas por preciosismo ideológico distorcido. É dizer que não podemos ter leis de emissões automotivas pois isso fere o direito de um free-rider de poluir individualmente – mesmo que a boa qualidade do ar de uma metrópole seja um exemplo flagrante de situação desejável. É dizer que não podemos ter cotas de pesca pois isso tira o direito do pescador de pescar o quanto lhe convém – mesmo que a preservação dos peixes como recurso econômico seja uma situação desejável óbvia, até mesmo para o pescador em questão.

 

A linha divisória entre o que é “bom” e o que é “ruim” não é nítida, e nenhuma equação ou inferência lógica substitui o julgamento humano nessa distinção (felizmente?). Nem por isso deixamos de perceber essa diferença em nossas vidas, ou deixamos de ter vários pontos de consenso a respeito. Guiar-se cegamente por apenas um direito, sobrepondo-o inflexivelmente a todos os outros, porém, é caminho seguro para se falhar nessa tarefa.



Escrito por Alexandre Lacerda às 13h46
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Alarmista x Alarmante

A posição de quem dá o alarme é algo que representa algum risco. Ao cientista, é muito mais seguro esperar que outros alcancem a mesma conclusão, e se expressar mais abertamente apenas quando houver momento suficiente na comunidade científica.

 

O Dr. James E. Hansen, da NASA, escreveu um interessante artigo a respeito da “reticência científica”, e menciona estudos comportamentais a respeito. Segundo ele, “o receio de ‘gritar que o lobo está vindo’ é uma preocupação mais imediata do que a possibilidade de ‘fingir que não há nada errado’”.

 

Um caso ilustrativo é o de J. Mercer, que em 1978 escreveu um artigo alertando para os efeitos do aquecimento antropogênico no gelo antártico.  Na época, outros cientistas que o contestaram, chamando-o de alarmista, foram considerados com melhor autoridade.

 

O IPCC, por representar a opinião de milhares de cientistas, também é necessariamente conservador: seus relatórios se limitam a denominadores comuns.

 

“A reticência é adequada ao IPCC”, continua Hansen. “Mas nós não sabemos o suficiente para dizer mais? (...) Há, em minha opinião, uma distância enorme entre o que se sabe a respeito do aquecimento antropogênico e suas conseqüências, e o que é sabido pelas pessoas que mais precisavam saber: o público e os que determinam políticas públicas. O IPCC está fazendo um trabalho admirável, mas precisamos de algo mais. Dada a reticência que o IPCC deve necessariamente exibir, deve haver mecanismos suplementares. O ônus, me parece, recai sobre nós cientistas como comunidade.”

 

Até hoje, fora dos meios científicos, é comum encontrarem-se opiniões que consideram alarmista qualquer estudo que seja alarmante. No Brasil, especificamente, tenho encontrado esse comportamento até entre profissionais da área. Atribuo isso ao fato do aquecimento global não ser ainda perceptível em nossas séries históricas de temperatura.

 

O conhecimento a que Hansen se refere está disponível a qualquer cidadão interessado. Basta que se disponha a procurá-lo.

 

O artigo “Scientific reticence and sea level rise”, do Dr. James. E. Hansen, está disponível no link:

http://www.iop.org/EJ/article/1748-9326/2/2/024002/erl7_2_024002.html



Escrito por Alexandre Lacerda às 13h12
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Aquecimento global morno

Alguns veículos da mídia internacional divulgaram matérias a respeito de uma esperada fase de resfriamento que acompanharia os próximos anos. Infelizmente, essa fase parece ser tão suave quanto breve. É o que mostram estudos como esse da Nature:

http://www.nature.com/nature/journal/v453/n7191/fig_tab/nature06921_F4.html#figure-title

 

ou esse, da Science:

http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/317/5839/796

 

Segundo esses estudos, após esse intervalo -que deve durar até talvez o início da próxima década- devemos voltar a bater recordes de calor nas médias mundiais.

 

Ao simplesmente negarmos o que acontece, prolongando uma situação que apenas se agrava, incorremos em um custo de oportunidade gradativamente maior. O que precisa acontecer para resolvermos agir?



Escrito por Alexandre Lacerda às 22h27
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Mitigação ao Aquecimento Global - uma análise econômica

Seguem aqui alguns dos aspectos principais da análise de Nordhaus a respeito de propostas de mitigação do aquecimento global. Não é a única, porém foi a mais abrangente que encontrei disponível na íntegra. Ela diverge de outras propostas existentes (entre elas o protocolo de Kyoto) e o modelo utilizado também diverge de muitos dos utilizados pelo IPCC. Serve, porém, a quem estiver interessado em um ponto de partida para discussão.

 

- O estudo foi feito a partir da análise das conseqüências das emissões, aquecimento e variações climáticas dentro da ciência atualmente disponível. O modelo utilizado difere do IPCC em várias de suas projeções.

 

- O valor presente da proposta economicamente ótima de mitigação é US$3,4 trilhões. Seu custo seria de US$2,2 trilhões, correspondentes a 0,11% da renda mundial no período. Os danos climáticos decorrentes de uma situação não controlada seriam de US$22,6 trilhões (comparados aos 17,3 trilhões do caso ótimo).

 

- Essa proposta ótima visaria limitar o aumento da temperatura a 2,8ºC em 2100 e 3,4ºem 2200. É quase 1ºC acima dos melhores cenários do IPCC.

 

- Os custos sociais das emissões de carbono são estimadas em US$28 por tonelada. A internalização ótima estimada é US$27 por ton, aumentando gradativamente com o tempo. A internalização por taxação de emissões nesse valor é considerada mais efetiva que o cap-and-trade. Segundo o autor, a taxa sobre as emissões tem a vantagem de deixar ao mercado a escolha do quanto seria o ótimo emitir. A escassez artificial causada pelo cap-and-trade foi considerada como mais susceptível à corrupção e com flutuações de preço extremas e indesejáveis. Uma terceira sugestão poderia unir as vantagens de ambas as abordagens: uma taxação das emissões aliada a um limite máximo de emissões, acima do qual haveria uma “ágio-punição”.

 

- Políticas abrangentes que alcancem todos os países e todos os setores econômicos foram consideradas muito mais eficientes que o formato do Protocolo de Kyoto, em que alguns países devem se limitar fortemente enquanto para outros não há limite. O atual protocolo, sem a participação dos EUA, teria uma eficiência de apenas 1/50 dessa proposta ótima.

 

- As propostas de Stern, Al Gore e outras similarmente ambiciosas foram consideradas mais caras que o necessário, por exigirem um corte de emissões muito grande no curto prazo.

 

- Uma tecnologia que fornecesse energia ambientalmente inofensiva é avaliada em valores presentes em US$17 trilhões – uma referência que deveria estimular esse tipo de pesquisa.

 

- Os valores utilizados são descontados (valor presente), em US$ de 2005.

 

 

(texto baseado no capítulo de Conclusões do estudo, pág. 170 a 183)

http://nordhaus.econ.yale.edu/dice_mss_072407_all.pdf

Escrito por Alexandre Lacerda às 21h59
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De que tipo de economia precisamos?

Volta e meia aparece o argumento de que ambientalismo e progresso são incompatíveis. Ou que globalização é inimiga do meio-ambiente.

Não é isso que se deduz dos relatórios do IPCC. Pelo contrário, minha conclusão é que desenvolvimento é necessário para que a população mundial se estabilize, conhecimento se dissemine e a eficiência dos processos permita um progresso que consuma menos energia e materiais. A globalização, como processo de integração e homogenização do crescimento, parece ser outro aspecto positivo importante.

O IPCC faz diferentes projeções de aquecimento para diferentes tipos e ritmos de desenvolvimento sócio-econômico mundial.

Pra simplificar a análise, vou resumir as possibilidades aos dois cenários extremos: os chamados A2 e B1. Cada um deles levaria a diferentes níveis de emissões e a diferentes aumentos de temperatura ao longo desse século.
 
A2 – Pior caso. Resultaria em um aumento de 3,5ºC até 2100, e esse aumento continuaria no século seguinte. Seriam 2ºC já em 2050, com várias conseqüências importantes. A conjuntura humana que levaria a isso é descrita assim:
“A very heterogeneous world. The underlying theme is self reliance and preservation of local identities. Fertility patterns across regions converge very slowly, which results in continuously increasing population. Economic development is primarily regionally oriented and per capita economic growth and technological change more fragmented than in other storylines.”

B1 – Melhor caso. Aumento de 1,5ºC até 2050, estabilizando em 1,9ºC até 2100.
Conjuntura sócio-econômica:
“The B1 storyline and scenario family describes a convergent world with the same global population, that peaks in midcentury and declines thereafter, as in the A1 storyline, but with rapid change in economic structures toward a service and information economy, with reductions in material intensity and the introduction of clean and resource efficient technologies. The emphasis is on global solutions to economic, social and environmental sustainability, including improved equity, but without additional climate initiatives.”



Que modelo econômico levaria ao B1? Claro, esse desenvolvimento teria que acontecer dentro de um contexto sustentável. Crescimento do tipo “realizar o ativo”, espalhando externalidades negativas não é exatamente o que se tem em mente aqui. Mas imagino que esse tipo de caminho deva ser evitado independente de meio-ambiente.
 
Referências:

Gráficos do aumento de temperatura na página 7 (numeração do rodapé da página). As conseqüências esperadas para as temperaturas alcançadas estão na página 9:
http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar4/syr/ar4_syr_spm.pdf

Descrição dos cenários na última página:
http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar4/wg2/ar4-wg2-spm.pdf


Escrito por Alexandre Lacerda às 20h11
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O IPCC acerta?

Às vezes as pessoas se perguntam se o que se diz sobre as mudanças climáticas reflete mesmo a realidade ou se é apenas um engano ou exagero de alguém.

 

O IPCC é um painel montado pela ONU que condensa estudos científicos feitos no mundo todo a respeito dessas mudanças. Periodicamente, o IPCC emite relatórios com atualizações desses estudos: estamos em sua quarta edição, sendo que a primeira foi em 1990.

 
Em 2007, foi realizado um estudo sistemático comparando as projeções realizadas até agora com o observado na realidade. Resultado: as projeções foram precisas. No caso do aumento do nível do mar, houve algum erro: o mar subiu mais do que o previsto.

 
Nesse link há um resumo do estudo. Na figura da última página, as linhas pontilhadas representam os diferentes cenários projetados pelo IPCC. A linha contínua foi o observado.
http://www.usclimatenetwork.org/science-impacts/ipcc/general-ipcc-background/ipcc-general-materials/RahmstorfAnalysis.pdf



Escrito por Alexandre Lacerda às 13h16
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O que a ciência sabe a respeito do aquecimento global?

Para o público em geral, há bastante dúvidas sobre o que é o aquecimento global, se é verdadeiro, se é algo com o que devemos nos preocupar.

Na mídia não-especializada, em que a desinformação ou mesmo a manipulação deliberada são mais presentes, há grande bagunça de opiniões. Já no meio científico o consenso é esmagador: o problema existe, e precisamos resolvê-lo. Para isso, há políticas públicas importantes que precisam ser implementadas, e isso só será possível se a opinião pública estiver devidamente informada.

Abaixo, eu procuro expor a lógica científica do aquecimento, procurando manter um equilíbrio entre a profundidade científica e a simplicidade que mantenha o texto acessível ao leigo culto. Você é quem vai me dizer se eu consegui isso. Tive o cuidado de incluir dados científicos: ou pesquisas publicadas, ou websites de intituições com credibilidade. Elas estão indicadas com números entre parênteses. Cada ponto do consenso envolvendo o aquecimento é documentado por várias pesquisas independentes, e aponto aqui algumas delas. Convido qualquer um a procurar uma consistência científica similar do lado “negacionista”. Ela simplesmente não existe.

De fato, foi feito um estudo sistemático sobre os estudos publicados na área para determinar a proporção entre negando/afirmando o aquecimento. Nos 928 estudos publicados entre 1993 e 2003, nenhum contradizia as bases do consenso (6).

 

Vamos lá:

A temperatura média do mundo está aumentando excepcionalmente rápido em termos históricos (1). A atividade humana está liberando quantidades enormes de CO2 na atmosfera (2). A concentração desse gás tem influência direta na temperatura (3).

O aumento da temperatura em si não é o maior problema – o ser humano certamente poderia viver na maior parte das regiões do globo mesmo que a temperatura se elevasse em 10ºC (muito mais que as previsões). O problema são as variações climáticas decorrentes desse aquecimento.

Há uma infinidade de conseqüências (4), a maioria delas negativa. As conseqüências, é claro, são gradativamente piores quanto maior for a mudança de temperatura causada.

Só pra examinar um exemplo: boa parte da população da Ásia vive em bacias de rios alimentados pelo degelo das neves do Himalaia. Só a bacia do Ganges tem 500 milhões de habitantes. Se continuarmos a emitir CO2 nas atuais taxas, a superfície de gelo do Himalaia deve diminuir significativamente nas próximas décadas. Entre centenas de estudos na área, há este (5) chinês, mostrando que com mais 2ºC, haveria uma diminuição de 70% na água escoada pela geleira em questão.

Referências

(1) http://www.ncdc.noaa.gov/paleo/globalwarming/images/last2000-large.jpg

(2) Níveis históricos de CO2 (últimos 450 mil anos)
http://www.ncdc.noaa.gov/paleo/globalwarming/temperature-change.html
Aumento recente de CO2:
http://www.brighton73.freeserve.co.uk/gw/paleo/20000yrfig.htm

Se o aumento enorme e inédito não for ainda convincente, há outras maneiras de se determinar a origem humana do CO2. Uma delas é a concentração do carbono 12 – Carbono fossilizado tem um pouco menos desse isótopo do que o carbono “convencional” na atmosfera. No link abaixo há uma explicação, citando devidamente as pesquisas em que se baseia.
http://www.realclimate.org/index.php?p=87


Emitidos 315 bilhões de toneladas de CO2 de 1751 pra cá, entre combustíveis fósseis e cura de cimento:
http://cdiac.ornl.gov/trends/emis/tre_glob.htm


(3) Este é um dos vários estudos na área. Há dúzias e dúzias de estudos nesse sentido, sendo o primeiro deles já em 1896. Neste aqui, calcula-se o aumento de 4ºC se dobrarmos os níveis pré-industriais de CO2. Trecho do 3º parágrafo:


 



Escrito por Alexandre Lacerda às 23h25
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