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Clima Real
 


De que tipo de economia precisamos?

Volta e meia aparece o argumento de que ambientalismo e progresso são incompatíveis. Ou que globalização é inimiga do meio-ambiente.

Não é isso que se deduz dos relatórios do IPCC. Pelo contrário, minha conclusão é que desenvolvimento é necessário para que a população mundial se estabilize, conhecimento se dissemine e a eficiência dos processos permita um progresso que consuma menos energia e materiais. A globalização, como processo de integração e homogenização do crescimento, parece ser outro aspecto positivo importante.

O IPCC faz diferentes projeções de aquecimento para diferentes tipos e ritmos de desenvolvimento sócio-econômico mundial.

Pra simplificar a análise, vou resumir as possibilidades aos dois cenários extremos: os chamados A2 e B1. Cada um deles levaria a diferentes níveis de emissões e a diferentes aumentos de temperatura ao longo desse século.
 
A2 – Pior caso. Resultaria em um aumento de 3,5ºC até 2100, e esse aumento continuaria no século seguinte. Seriam 2ºC já em 2050, com várias conseqüências importantes. A conjuntura humana que levaria a isso é descrita assim:
“A very heterogeneous world. The underlying theme is self reliance and preservation of local identities. Fertility patterns across regions converge very slowly, which results in continuously increasing population. Economic development is primarily regionally oriented and per capita economic growth and technological change more fragmented than in other storylines.”

B1 – Melhor caso. Aumento de 1,5ºC até 2050, estabilizando em 1,9ºC até 2100.
Conjuntura sócio-econômica:
“The B1 storyline and scenario family describes a convergent world with the same global population, that peaks in midcentury and declines thereafter, as in the A1 storyline, but with rapid change in economic structures toward a service and information economy, with reductions in material intensity and the introduction of clean and resource efficient technologies. The emphasis is on global solutions to economic, social and environmental sustainability, including improved equity, but without additional climate initiatives.”



Que modelo econômico levaria ao B1? Claro, esse desenvolvimento teria que acontecer dentro de um contexto sustentável. Crescimento do tipo “realizar o ativo”, espalhando externalidades negativas não é exatamente o que se tem em mente aqui. Mas imagino que esse tipo de caminho deva ser evitado independente de meio-ambiente.
 
Referências:

Gráficos do aumento de temperatura na página 7 (numeração do rodapé da página). As conseqüências esperadas para as temperaturas alcançadas estão na página 9:
http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar4/syr/ar4_syr_spm.pdf

Descrição dos cenários na última página:
http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar4/wg2/ar4-wg2-spm.pdf


Escrito por Alexandre Lacerda às 20h11
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O IPCC acerta?

Às vezes as pessoas se perguntam se o que se diz sobre as mudanças climáticas reflete mesmo a realidade ou se é apenas um engano ou exagero de alguém.

 

O IPCC é um painel montado pela ONU que condensa estudos científicos feitos no mundo todo a respeito dessas mudanças. Periodicamente, o IPCC emite relatórios com atualizações desses estudos: estamos em sua quarta edição, sendo que a primeira foi em 1990.

 
Em 2007, foi realizado um estudo sistemático comparando as projeções realizadas até agora com o observado na realidade. Resultado: as projeções foram precisas. No caso do aumento do nível do mar, houve algum erro: o mar subiu mais do que o previsto.

 
Nesse link há um resumo do estudo. Na figura da última página, as linhas pontilhadas representam os diferentes cenários projetados pelo IPCC. A linha contínua foi o observado.
http://www.usclimatenetwork.org/science-impacts/ipcc/general-ipcc-background/ipcc-general-materials/RahmstorfAnalysis.pdf



Escrito por Alexandre Lacerda às 13h16
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O que a ciência sabe a respeito do aquecimento global?

Para o público em geral, há bastante dúvidas sobre o que é o aquecimento global, se é verdadeiro, se é algo com o que devemos nos preocupar.

Na mídia não-especializada, em que a desinformação ou mesmo a manipulação deliberada são mais presentes, há grande bagunça de opiniões. Já no meio científico o consenso é esmagador: o problema existe, e precisamos resolvê-lo. Para isso, há políticas públicas importantes que precisam ser implementadas, e isso só será possível se a opinião pública estiver devidamente informada.

Abaixo, eu procuro expor a lógica científica do aquecimento, procurando manter um equilíbrio entre a profundidade científica e a simplicidade que mantenha o texto acessível ao leigo culto. Você é quem vai me dizer se eu consegui isso. Tive o cuidado de incluir dados científicos: ou pesquisas publicadas, ou websites de intituições com credibilidade. Elas estão indicadas com números entre parênteses. Cada ponto do consenso envolvendo o aquecimento é documentado por várias pesquisas independentes, e aponto aqui algumas delas. Convido qualquer um a procurar uma consistência científica similar do lado “negacionista”. Ela simplesmente não existe.

De fato, foi feito um estudo sistemático sobre os estudos publicados na área para determinar a proporção entre negando/afirmando o aquecimento. Nos 928 estudos publicados entre 1993 e 2003, nenhum contradizia as bases do consenso (6).

 

Vamos lá:

A temperatura média do mundo está aumentando excepcionalmente rápido em termos históricos (1). A atividade humana está liberando quantidades enormes de CO2 na atmosfera (2). A concentração desse gás tem influência direta na temperatura (3).

O aumento da temperatura em si não é o maior problema – o ser humano certamente poderia viver na maior parte das regiões do globo mesmo que a temperatura se elevasse em 10ºC (muito mais que as previsões). O problema são as variações climáticas decorrentes desse aquecimento.

Há uma infinidade de conseqüências (4), a maioria delas negativa. As conseqüências, é claro, são gradativamente piores quanto maior for a mudança de temperatura causada.

Só pra examinar um exemplo: boa parte da população da Ásia vive em bacias de rios alimentados pelo degelo das neves do Himalaia. Só a bacia do Ganges tem 500 milhões de habitantes. Se continuarmos a emitir CO2 nas atuais taxas, a superfície de gelo do Himalaia deve diminuir significativamente nas próximas décadas. Entre centenas de estudos na área, há este (5) chinês, mostrando que com mais 2ºC, haveria uma diminuição de 70% na água escoada pela geleira em questão.

Referências

(1) http://www.ncdc.noaa.gov/paleo/globalwarming/images/last2000-large.jpg

(2) Níveis históricos de CO2 (últimos 450 mil anos)
http://www.ncdc.noaa.gov/paleo/globalwarming/temperature-change.html
Aumento recente de CO2:
http://www.brighton73.freeserve.co.uk/gw/paleo/20000yrfig.htm

Se o aumento enorme e inédito não for ainda convincente, há outras maneiras de se determinar a origem humana do CO2. Uma delas é a concentração do carbono 12 – Carbono fossilizado tem um pouco menos desse isótopo do que o carbono “convencional” na atmosfera. No link abaixo há uma explicação, citando devidamente as pesquisas em que se baseia.
http://www.realclimate.org/index.php?p=87


Emitidos 315 bilhões de toneladas de CO2 de 1751 pra cá, entre combustíveis fósseis e cura de cimento:
http://cdiac.ornl.gov/trends/emis/tre_glob.htm


(3) Este é um dos vários estudos na área. Há dúzias e dúzias de estudos nesse sentido, sendo o primeiro deles já em 1896. Neste aqui, calcula-se o aumento de 4ºC se dobrarmos os níveis pré-industriais de CO2. Trecho do 3º parágrafo:


 



Escrito por Alexandre Lacerda às 23h25
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